quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Romance Proibido

Ela era linda, era meiga e delicada. Sua pele era tão macia e branca quanto o algodão, seus traços muito bem desenhados, sua boca rosada, olhos castanhos, cabelos negros e longos.
Ela gostava de tudo perfeito demais, se dava em tudo o que fazia, era tímida e doce, envolvente e simples, sedutora e virgem.
Ela tinha medo, medo do que as pessoas pensariam dela, tinha medo de fracassar, medo de não ser a melhor, medo de se dar, medo de se entregar.
Tinha tanto medo que acabava não tendo nada, tanto medo que vivia acuada, presa e contraída. Vivia sem arriscar, pois o medo não a deixava fazer nada além da perfeição.
Ela tinha um espelho, não tinha uma imagem, nunca teve uma referencia ou alguém para guiá-la.
Mas ela tinha algo importante pela frente, algo que a obrigaria a buscar o oposto do que havia vivido.
Precisava ser sedutora, precisava ser ousada, precisava ser forte, atraente, soltar o que estava reprimido, precisava fluir para a vida.
Nada se passava em sua mente além do novo, queria se conhecer, se tocar, sentir o que era a luxúria, queria respirar forte, somente gozar e libertar-se.
O sufoco que sentia era enorme, queria gritar, ficar só, libertar-se, beber, fantasiar e realizar.
Começou a mudar seus sonhos e aquilo que antes era bosque, sol e rosas virou mar, lua e noite. Ela conseguia perceber, mas nunca se atraia pelo oposto do seu sexo, ela fantasiava coisas com mulheres. Ela não conseguia se entender.
Ela deitava em sua cama para dormir, contorcia-se, dobrava-se, suava, arranhava, tremia e relaxava. Mas no dia seguinte de nada lembrava.
Quando viu um espelho pode entender, entendeu que estava aflorando, que tinha medo de ser incompreendida, então tomou coragem e revelou-se.
Por revelar-se foi contestada e as pessoas que antes a viam com perfeição, agora a descriminavam, sentiam nojo por saber que ela se relacionava com pessoas do mesmo sexo, sentiam desprezo, mas não sabiam do prazer que ela sentia.
Era um romance proibido, um amor impossível, bebidas, drogas, sexo e depressão tomaram conta da sua vida. Seu amor a seqüestrou.
E quanto menos vergonha ela sentia, mais ela se dava, se entregava e torturava-se em prazer. Viveu as mais lúdicas fantasias. Andou nos mais arriscados lugares, ela e o seu amor.
Mas a as pessoas precisavam acabar com isso, precisavam ver o fim, uma delas tinha que morrer.
E a linda menina, delicada, meiga e lésbica foi encurralada em uma cena de estupro, foi espancada, torturada e sadomatizada.
Perdeu sua virgindade antes de morrer, foi duro, foi bruto e cruel e então, no instante em que sua ultima respiração ia acontecer, ela conseguiu entender porque se apaixonara por uma mulher, porque temera os homens.
Simplesmente por saber que para eles nada mais importava além de mais uma pessoa por mais uma noite em mais um lugar. Caiu, sangrou, tossiu e dormiu em um sonho que não acordaria mais, um sonho de amor proibido, lésbico e bandido um sonho que só quem tem coragem pode sonhar, mas só quem é mulher pode realizar.

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